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Anamnese9 min de leitura · atualizado em 24 de julho de 2026

Perguntas de anamnese psicológica: lista completa para copiar

Resposta direta

Esta é uma lista completa de perguntas de anamnese psicológica, organizada por área — identificação, queixa/demanda, história da queixa, antecedentes de saúde, história familiar e rotina/desenvolvimento — e com blocos específicos por público (criança, adolescente, adulto e idoso), pronta para copiar e adaptar. Trate as perguntas como eixos norteadores de uma entrevista semiestruturada, e não como um questionário rígido. A anamnese é um instrumento clínico interno que integra o prontuário e, por isso, está protegida pelo sigilo e pelas regras de guarda da Resolução CFP 001/2009.

Como usar esta lista (e o que a anamnese é)

A anamnese é a entrevista inicial em que a(o) psicóloga(o) reúne, de forma organizada, a história e a demanda de quem procura atendimento. As perguntas reunidas abaixo são um ponto de partida para copiar e adaptar — e não um formulário obrigatório. Cada abordagem teórica, cada serviço e cada público pede ajustes na ordem, na profundidade e nas palavras exatas.

Use as perguntas como eixos norteadores de uma entrevista semiestruturada: garanta que os temas essenciais sejam cobertos, mas siga o ritmo da conversa e prefira perguntas abertas ("conte-me como isso começou") a uma sequência mecânica de "sim ou não". Nem tudo precisa ser colhido na primeira sessão — assuntos mais sensíveis podem esperar um vínculo mais firme.

A lista está organizada em seis áreas gerais, seguidas de blocos específicos por público:

ÁreaO que investigar
IdentificaçãoDados básicos, contexto de vida e origem do encaminhamento
Queixa / demandaMotivo do atendimento, impacto no dia a dia e expectativas
História da queixaInício, evolução, frequência, gatilhos e tentativas anteriores
Antecedentes de saúdeCondições clínicas, medicação, saúde mental e hábitos
História familiarComposição, dinâmica e histórico de sofrimento psíquico
Rotina / desenvolvimentoSono, hábitos, história de vida e rede de apoio
Específicas por públicoAjustes para criança, adolescente, adulto e idoso
A anamnese é um instrumento clínico interno e sigiloso: ela integra o prontuário e é regida pela Resolução CFP 001/2009 e pelo dever de sigilo do Código de Ética. Não se entrega a ficha "crua" a escola, médico, convênio ou Justiça — quando um terceiro precisa de informação, emite-se um documento próprio (relatório, laudo ou parecer), na medida estritamente necessária.

Perguntas por área: identificação, queixa e história da queixa

Copie os blocos abaixo e adapte ao seu caso. As perguntas estão redigidas em linguagem acessível, do jeito que costumam ser ditas na sessão.

1. Identificação

  1. Qual é o seu nome completo e como você prefere ser chamado(a)?
  2. Qual a sua idade e data de nascimento?
  3. Qual a sua escolaridade e a sua ocupação atual?
  4. Qual a sua situação conjugal e com quem você mora?
  5. Como são, hoje, as suas condições de moradia e de trabalho? (quando pertinente à demanda)
  6. Quem indicou ou encaminhou este atendimento?
  7. Você já fez terapia antes ou está em acompanhamento com outro profissional agora?

2. Queixa / demanda

  1. O que traz você aqui hoje? (com as suas próprias palavras)
  2. Qual é a principal dificuldade neste momento?
  3. Por que você decidiu procurar ajuda justamente agora? O que mudou?
  4. Como isso vem afetando o seu dia a dia — trabalho, estudos, relações, sono?
  5. O que você espera deste processo? Que mudança gostaria de alcançar?
  6. Existe alguma demanda de terceiros envolvida (família, escola, empresa, Justiça)?

3. História da queixa

  1. Quando isso começou? Aconteceu algo marcante nessa época?
  2. Como foi evoluindo desde então — piorou, melhorou, tem oscilado?
  3. Com que frequência acontece e qual costuma ser a intensidade?
  4. O que parece desencadear ou agravar a situação?
  5. O que ajuda a aliviar ou a melhorar?
  6. Você já tentou lidar com isso de alguma forma? O que funcionou e o que não funcionou?
  7. Já procurou ajuda antes por causa disso? Como foi?
Exemplo Em uma primeira sessão fictícia, "Rafael", 28 anos, analista, diz que "está travando no trabalho". A pergunta sobre o porquê de procurar ajuda agora revela que ele foi promovido há dois meses e, desde então, evita reuniões. As perguntas de história da queixa mostram que a insegurança aparece apenas em situações de exposição pública e piora quando ele dormiu mal. São os eixos, e não respostas soltas, que começam a organizar a hipótese de trabalho.

Perguntas por área: antecedentes de saúde, história familiar e rotina

4. Antecedentes de saúde

  1. Como está a sua saúde de modo geral?
  2. Você tem alguma condição clínica diagnosticada? Faz acompanhamento médico?
  3. Usa alguma medicação de forma contínua? Qual, para quê e prescrita por quem?
  4. Já fez acompanhamento psicológico ou psiquiátrico antes? Quando e como foi?
  5. Já passou por internação ou cirurgia relevante?
  6. Faz uso de álcool, tabaco ou outras substâncias? Com que frequência?
  7. Como estão o seu sono, o apetite, a energia e a concentração?
  8. Em algum momento você teve pensamentos de não querer viver ou de se machucar? (investigar com acolhimento quando houver indicativos)

5. História familiar

  1. Como é composta a sua família (pais, irmãos, filhos, parceiro(a))?
  2. Como você descreveria a convivência entre vocês?
  3. Como foi a sua criação e o ambiente em que você cresceu?
  4. Há histórico de sofrimento psíquico, adoecimento mental, uso de substâncias ou suicídio na família?
  5. Houve perdas, separações ou mudanças marcantes na família?
  6. Como a sua família se posiciona em relação à dificuldade que você trouxe?

6. Rotina, desenvolvimento e história de vida

  1. Como é um dia típico seu? (rotina de trabalho ou estudo, tarefas e lazer)
  2. Como estão o seu sono e a sua alimentação?
  3. Você tem momentos de lazer, descanso ou atividade física?
  4. Como foi a sua trajetória escolar e profissional?
  5. Como estão os seus relacionamentos afetivos e sociais?
  6. Há acontecimentos marcantes na sua história de vida que você considera importantes? (mudanças, perdas, conquistas, situações de violência)
  7. Com quem você conta nos momentos difíceis? (rede de apoio)
  8. Como você tem se sentido em relação a si mesmo(a) e ao futuro?
Avaliação de risco com cuidado — e sem diagnóstico médico. Perguntas sobre pensamentos de morte ou de se machucar devem ser feitas com acolhimento quando houver indicativos, nunca evitadas por receio. Ao registrar, descreva o que foi relatado e o que foi observado: a(o) psicóloga(o) realiza avaliação psicológica e não firma diagnóstico de doença, atribuição do profissional de medicina.

Perguntas específicas por público (criança, adolescente, adulto e idoso)

As áreas gerais continuam valendo; o que muda é a ênfase, a linguagem e, no caso de crianças, a própria fonte da informação. Copie o bloco do público que você atende.

Crianças (história colhida com os responsáveis + escuta lúdica da criança)

  1. Como foram a gestação, o parto e os primeiros meses de vida?
  2. Como foi o desenvolvimento (sentar, andar, falar, controle de esfíncteres, sono e alimentação)?
  3. Como está a adaptação escolar? Como são o desempenho e o comportamento na escola?
  4. Como a criança se relaciona com colegas, irmãos e adultos?
  5. O que motivou a busca por atendimento, na visão dos responsáveis?
  6. Houve mudanças recentes na família (separação, nascimento, mudança, luto)?
  7. (Com a criança, de forma lúdica) Do que você mais gosta de brincar? Como é a sua escola? Tem alguma coisa que te deixa triste, com raiva ou com medo?

Adolescentes (reforçando o sigilo e os seus limites)

  1. Como você descreveria este momento da sua vida?
  2. Como estão a escola e os seus planos para o futuro?
  3. Como são as suas amizades e o seu uso de redes sociais e internet?
  4. Como está a relação com a sua família?
  5. Como têm estado o seu sono, o seu humor e a sua disposição?
  6. Há algo que você gostaria de conversar aqui e que sente dificuldade de falar em casa?
  7. Uso de álcool ou de outras substâncias e vida afetiva (abordados com sensibilidade e conforme a pertinência).

Adultos

  1. Como você equilibra trabalho, relações e cuidado consigo mesmo(a)?
  2. Como está a sua vida afetiva ou conjugal e, se for o caso, a parentalidade?
  3. Que papel o trabalho ocupa na sua vida hoje?
  4. Que recursos e estratégias já ajudaram você a lidar com dificuldades no passado?

Pessoas idosas

  1. Como estão a sua saúde física e a sua autonomia no dia a dia?
  2. Como é a sua rede de apoio e o seu convívio social atualmente?
  3. Houve perdas ou mudanças recentes (aposentadoria, luto, mudança de casa)?
  4. Como você avalia a sua memória e a sua disposição? (encaminhar para avaliação específica quando indicado)
  5. Como você se sente em relação a esta fase da vida?

Casal (quando o atendimento é do casal, cada pessoa responde)

  1. O que trouxe vocês à terapia neste momento?
  2. Como cada um de vocês descreveria a relação hoje?
  3. Quais são os principais pontos de conflito e como vocês costumam lidar com eles?
  4. O que cada um espera deste processo?
Exemplo No atendimento fictício de "Bruno", 7 anos, boa parte da história é colhida com a mãe (gestação, marcos do desenvolvimento, adaptação escolar), enquanto com a criança a investigação acontece de forma lúdica, por meio de desenho e brincadeira. As duas fontes se complementam: o relato dos responsáveis e a escuta direta da criança.

Registro, ética e a diferença para os documentos formais

Reunir informações sensíveis exige responsabilidade. Antes de começar, informe a pessoa (ou o responsável) sobre o sigilo e os seus limites e formalize o termo de consentimento. Registre de forma objetiva e pertinente — apenas o necessário para conduzir o caso — separando o que foi relatado pela pessoa do que foi observado por você, e evitando juízos sem função clínica.

Como parte do prontuário, a anamnese segue as regras de guarda da Resolução CFP 001/2009, que estabelece prazo mínimo de 5 anos de guarda do registro documental, em condições que preservem o sigilo (arquivo físico protegido ou meio digital seguro). Para estruturar esse registro, veja o modelo de ficha de anamnese.

Por fim, a anamnese não substitui os documentos formais e nunca é entregue no lugar deles. Quando é preciso comunicar algo a terceiros, produz-se o documento adequado, conforme a Resolução CFP 06/2019:

  • o relatório e o laudo psicológico seguem a mesma estrutura de cinco partes (identificação, descrição da demanda, procedimento, análise e conclusão) — o laudo, em regra, responde a uma avaliação psicológica específica;
  • o parecer psicológico responde a uma questão-problema focal e tem quatro partes (identificação, exposição de motivos, análise e conclusão).
Um bom roteiro de anamnese não vira interrogatório: a prioridade é a escuta e o vínculo. Colha o que for pertinente à demanda — registrar dado íntimo sem relevância clínica contraria o princípio de coletar apenas o necessário.
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Perguntas frequentes

Existe uma lista ou modelo obrigatório de perguntas de anamnese?

Não. O CFP não impõe um questionário único. O que é exigido é o registro documental do atendimento (Resolução CFP 001/2009). A anamnese é a forma mais comum de iniciar esse registro e organizar o caso; o roteiro pode ser adaptado à sua abordagem e ao público, desde que garanta um registro mínimo, responsável e sigiloso.

Preciso fazer todas essas perguntas na primeira sessão?

Não. A lista é um mapa de temas, não um checklist a ser cumprido de uma só vez. Priorize a demanda, o vínculo e eventuais sinais de risco; detalhes de história e assuntos mais sensíveis podem ser retomados ao longo das sessões, respeitando o ritmo da pessoa.

Posso usar as mesmas perguntas para adulto, criança e idoso?

As áreas gerais servem de base para todos, mas o roteiro precisa ser adaptado. Com crianças, boa parte da história é colhida com os responsáveis, somada à escuta lúdica da criança; com adolescentes, reforça-se o sigilo e seus limites; com pessoas idosas, ganham peso a saúde, a autonomia e a rede de apoio.

Posso entregar a ficha de anamnese à escola, ao convênio ou à Justiça?

Não. Como parte do prontuário, a anamnese é sigilosa e não é entregue diretamente a terceiros. Quando há necessidade legítima, presta-se a informação por documento próprio — relatório, laudo ou parecer (Resolução CFP 06/2019) — com finalidade definida, na medida estritamente necessária e, em regra, com autorização da pessoa ou do responsável.

Fontes oficiais

Leia também

Modelo de ficha de anamnese →Assistente de anamnese com IA →Modelo de relatório psicológico →Ética & CFP: guias para a prática →
Por Equipe PsiFllux · publicado em 24 de julho de 2026 · última revisão em 24 de julho de 2026

Conteúdo educativo elaborado a partir das publicações oficiais do CFP e da legislação vigente, com as fontes listadas acima. Não substitui orientação do seu CRP, de contador ou de advogado no caso concreto. Como produzimos e revisamos.