Perguntas de anamnese psicológica: lista completa para copiar
Esta é uma lista completa de perguntas de anamnese psicológica, organizada por área — identificação, queixa/demanda, história da queixa, antecedentes de saúde, história familiar e rotina/desenvolvimento — e com blocos específicos por público (criança, adolescente, adulto e idoso), pronta para copiar e adaptar. Trate as perguntas como eixos norteadores de uma entrevista semiestruturada, e não como um questionário rígido. A anamnese é um instrumento clínico interno que integra o prontuário e, por isso, está protegida pelo sigilo e pelas regras de guarda da Resolução CFP 001/2009.
Como usar esta lista (e o que a anamnese é)
A anamnese é a entrevista inicial em que a(o) psicóloga(o) reúne, de forma organizada, a história e a demanda de quem procura atendimento. As perguntas reunidas abaixo são um ponto de partida para copiar e adaptar — e não um formulário obrigatório. Cada abordagem teórica, cada serviço e cada público pede ajustes na ordem, na profundidade e nas palavras exatas.
Use as perguntas como eixos norteadores de uma entrevista semiestruturada: garanta que os temas essenciais sejam cobertos, mas siga o ritmo da conversa e prefira perguntas abertas ("conte-me como isso começou") a uma sequência mecânica de "sim ou não". Nem tudo precisa ser colhido na primeira sessão — assuntos mais sensíveis podem esperar um vínculo mais firme.
A lista está organizada em seis áreas gerais, seguidas de blocos específicos por público:
| Área | O que investigar |
|---|---|
| Identificação | Dados básicos, contexto de vida e origem do encaminhamento |
| Queixa / demanda | Motivo do atendimento, impacto no dia a dia e expectativas |
| História da queixa | Início, evolução, frequência, gatilhos e tentativas anteriores |
| Antecedentes de saúde | Condições clínicas, medicação, saúde mental e hábitos |
| História familiar | Composição, dinâmica e histórico de sofrimento psíquico |
| Rotina / desenvolvimento | Sono, hábitos, história de vida e rede de apoio |
| Específicas por público | Ajustes para criança, adolescente, adulto e idoso |
Perguntas por área: identificação, queixa e história da queixa
Copie os blocos abaixo e adapte ao seu caso. As perguntas estão redigidas em linguagem acessível, do jeito que costumam ser ditas na sessão.
1. Identificação
- Qual é o seu nome completo e como você prefere ser chamado(a)?
- Qual a sua idade e data de nascimento?
- Qual a sua escolaridade e a sua ocupação atual?
- Qual a sua situação conjugal e com quem você mora?
- Como são, hoje, as suas condições de moradia e de trabalho? (quando pertinente à demanda)
- Quem indicou ou encaminhou este atendimento?
- Você já fez terapia antes ou está em acompanhamento com outro profissional agora?
2. Queixa / demanda
- O que traz você aqui hoje? (com as suas próprias palavras)
- Qual é a principal dificuldade neste momento?
- Por que você decidiu procurar ajuda justamente agora? O que mudou?
- Como isso vem afetando o seu dia a dia — trabalho, estudos, relações, sono?
- O que você espera deste processo? Que mudança gostaria de alcançar?
- Existe alguma demanda de terceiros envolvida (família, escola, empresa, Justiça)?
3. História da queixa
- Quando isso começou? Aconteceu algo marcante nessa época?
- Como foi evoluindo desde então — piorou, melhorou, tem oscilado?
- Com que frequência acontece e qual costuma ser a intensidade?
- O que parece desencadear ou agravar a situação?
- O que ajuda a aliviar ou a melhorar?
- Você já tentou lidar com isso de alguma forma? O que funcionou e o que não funcionou?
- Já procurou ajuda antes por causa disso? Como foi?
Perguntas por área: antecedentes de saúde, história familiar e rotina
4. Antecedentes de saúde
- Como está a sua saúde de modo geral?
- Você tem alguma condição clínica diagnosticada? Faz acompanhamento médico?
- Usa alguma medicação de forma contínua? Qual, para quê e prescrita por quem?
- Já fez acompanhamento psicológico ou psiquiátrico antes? Quando e como foi?
- Já passou por internação ou cirurgia relevante?
- Faz uso de álcool, tabaco ou outras substâncias? Com que frequência?
- Como estão o seu sono, o apetite, a energia e a concentração?
- Em algum momento você teve pensamentos de não querer viver ou de se machucar? (investigar com acolhimento quando houver indicativos)
5. História familiar
- Como é composta a sua família (pais, irmãos, filhos, parceiro(a))?
- Como você descreveria a convivência entre vocês?
- Como foi a sua criação e o ambiente em que você cresceu?
- Há histórico de sofrimento psíquico, adoecimento mental, uso de substâncias ou suicídio na família?
- Houve perdas, separações ou mudanças marcantes na família?
- Como a sua família se posiciona em relação à dificuldade que você trouxe?
6. Rotina, desenvolvimento e história de vida
- Como é um dia típico seu? (rotina de trabalho ou estudo, tarefas e lazer)
- Como estão o seu sono e a sua alimentação?
- Você tem momentos de lazer, descanso ou atividade física?
- Como foi a sua trajetória escolar e profissional?
- Como estão os seus relacionamentos afetivos e sociais?
- Há acontecimentos marcantes na sua história de vida que você considera importantes? (mudanças, perdas, conquistas, situações de violência)
- Com quem você conta nos momentos difíceis? (rede de apoio)
- Como você tem se sentido em relação a si mesmo(a) e ao futuro?
Perguntas específicas por público (criança, adolescente, adulto e idoso)
As áreas gerais continuam valendo; o que muda é a ênfase, a linguagem e, no caso de crianças, a própria fonte da informação. Copie o bloco do público que você atende.
Crianças (história colhida com os responsáveis + escuta lúdica da criança)
- Como foram a gestação, o parto e os primeiros meses de vida?
- Como foi o desenvolvimento (sentar, andar, falar, controle de esfíncteres, sono e alimentação)?
- Como está a adaptação escolar? Como são o desempenho e o comportamento na escola?
- Como a criança se relaciona com colegas, irmãos e adultos?
- O que motivou a busca por atendimento, na visão dos responsáveis?
- Houve mudanças recentes na família (separação, nascimento, mudança, luto)?
- (Com a criança, de forma lúdica) Do que você mais gosta de brincar? Como é a sua escola? Tem alguma coisa que te deixa triste, com raiva ou com medo?
Adolescentes (reforçando o sigilo e os seus limites)
- Como você descreveria este momento da sua vida?
- Como estão a escola e os seus planos para o futuro?
- Como são as suas amizades e o seu uso de redes sociais e internet?
- Como está a relação com a sua família?
- Como têm estado o seu sono, o seu humor e a sua disposição?
- Há algo que você gostaria de conversar aqui e que sente dificuldade de falar em casa?
- Uso de álcool ou de outras substâncias e vida afetiva (abordados com sensibilidade e conforme a pertinência).
Adultos
- Como você equilibra trabalho, relações e cuidado consigo mesmo(a)?
- Como está a sua vida afetiva ou conjugal e, se for o caso, a parentalidade?
- Que papel o trabalho ocupa na sua vida hoje?
- Que recursos e estratégias já ajudaram você a lidar com dificuldades no passado?
Pessoas idosas
- Como estão a sua saúde física e a sua autonomia no dia a dia?
- Como é a sua rede de apoio e o seu convívio social atualmente?
- Houve perdas ou mudanças recentes (aposentadoria, luto, mudança de casa)?
- Como você avalia a sua memória e a sua disposição? (encaminhar para avaliação específica quando indicado)
- Como você se sente em relação a esta fase da vida?
Casal (quando o atendimento é do casal, cada pessoa responde)
- O que trouxe vocês à terapia neste momento?
- Como cada um de vocês descreveria a relação hoje?
- Quais são os principais pontos de conflito e como vocês costumam lidar com eles?
- O que cada um espera deste processo?
Registro, ética e a diferença para os documentos formais
Reunir informações sensíveis exige responsabilidade. Antes de começar, informe a pessoa (ou o responsável) sobre o sigilo e os seus limites e formalize o termo de consentimento. Registre de forma objetiva e pertinente — apenas o necessário para conduzir o caso — separando o que foi relatado pela pessoa do que foi observado por você, e evitando juízos sem função clínica.
Como parte do prontuário, a anamnese segue as regras de guarda da Resolução CFP 001/2009, que estabelece prazo mínimo de 5 anos de guarda do registro documental, em condições que preservem o sigilo (arquivo físico protegido ou meio digital seguro). Para estruturar esse registro, veja o modelo de ficha de anamnese.
Por fim, a anamnese não substitui os documentos formais e nunca é entregue no lugar deles. Quando é preciso comunicar algo a terceiros, produz-se o documento adequado, conforme a Resolução CFP 06/2019:
- o relatório e o laudo psicológico seguem a mesma estrutura de cinco partes (identificação, descrição da demanda, procedimento, análise e conclusão) — o laudo, em regra, responde a uma avaliação psicológica específica;
- o parecer psicológico responde a uma questão-problema focal e tem quatro partes (identificação, exposição de motivos, análise e conclusão).
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Perguntas frequentes
Fontes oficiais
- Resolução CFP 001/2009 (registro documental / prontuário)
- Código de Ética Profissional do Psicólogo
- Resolução CFP 06/2019 (comentada) — documentos escritos
Leia também
Conteúdo educativo elaborado a partir das publicações oficiais do CFP e da legislação vigente, com as fontes listadas acima. Não substitui orientação do seu CRP, de contador ou de advogado no caso concreto. Como produzimos e revisamos.