Quanto custa um laudo psicológico? A verdade sobre a "tabela do CFP" e os valores
O CFP não fixa nem tabela o preço de um laudo psicológico: os honorários são de livre negociação entre a psicóloga e quem contrata (art. 4º do Código de Ética). O que existe são tabelas de referência publicadas por alguns Conselhos Regionais (CRPs) e sindicatos, de caráter orientativo — não obrigatório. O valor final depende da complexidade, do número de sessões e instrumentos, da finalidade e da região, variando de algumas centenas a alguns milhares de reais.
O CFP fixa o preço do laudo? Não — veja o que a regra diz
Antes de qualquer número, o ponto que evita erro (e evita dor de cabeça com o Conselho): não existe tabela de preços obrigatória do Conselho Federal de Psicologia. Nem o CFP, nem os Conselhos Regionais (CRPs) determinam quanto você deve cobrar por um laudo. Os honorários são de livre negociação entre a psicóloga e quem contrata o serviço.
A régua ética está no art. 4º do Código de Ética Profissional do Psicólogo: os honorários devem ser combinados com clareza e antecipadamente, considerando a situação socioeconômica de quem recebe o serviço e a dignidade da profissão. Ou seja, a norma não diz "cobre tantos reais" — ela diz "combine de forma transparente, de preferência por escrito, e sem rebaixar o valor do trabalho".
Por que não há preço fixo? Porque impor um valor mínimo obrigatório a toda a categoria esbarraria na livre concorrência — tabelas de preço impositivas são tratadas como cartel pelos órgãos de defesa da concorrência. Por isso, o que os CRPs eventualmente publicam é sempre referência, nunca imposição.
Como funciona a tabela de referência de honorários do CRP
Se não há tabela oficial do CFP, de onde vem a famosa "tabela do CFP"? Em geral, da confusão com as tabelas de referência de honorários que alguns CRPs e sindicatos de psicólogos publicam. Elas listam valores sugeridos para consultas, sessões e documentos, funcionando como parâmetro — para o profissional não subprecificar e para orientar o público.
Três coisas para lembrar sobre essas tabelas:
- São orientativas, não obrigatórias. Servem como referência; você pode cobrar acima ou abaixo conforme o caso concreto.
- Variam por região e por ano. Cada CRP ou sindicato pode ter (ou não) a sua, com valores e datas diferentes. Procure sempre a versão atual do seu Conselho Regional ou sindicato.
- Não substituem o combinado por escrito com o cliente. A tabela é ponto de partida; o contrato é o que vale.
Existem, porém, situações em que o preço é regulado — e, nesses casos, não é o CFP quem define:
- Avaliação psicológica para a CNH (Detran): o valor é fixado por resolução do Contran/Detran, com tabela oficial que varia por estado. É o caso mais conhecido de preço tabelado — mas é norma de trânsito, não do CFP.
- Perícia judicial: quando a psicóloga atua como perita nomeada pelo juízo, os honorários são arbitrados pelo juiz. Já a assistente técnica, contratada por uma das partes, negocia o valor livremente com quem a contratou. A Resolução CFP nº 08/2010 diferencia esses dois papéis.
O que faz o valor subir ou descer: os 6 fatores
Com a liberdade de precificar vem a pergunta prática: então de que depende o valor? De seis fatores principais — que explicam por que dois "laudos" custam valores tão diferentes:
- 1. Finalidade. Um laudo para fins clínicos é diferente de um para concurso público, porte de arma, adoção, interdição ou processo judicial. Quanto maior a responsabilidade e a exigência formal, maior o trabalho — e o valor.
- 2. Número de encontros. Uma avaliação psicológica raramente cabe em uma sessão: há entrevista(s), aplicação de instrumentos e devolutiva. Mais encontros, mais horas.
- 3. Instrumentos e testes. Testes psicológicos aprovados no SATEPSI têm custo de aquisição, folhas de resposta e tempo de correção. Uma bateria ampla pesa no preço.
- 4. Tempo de elaboração do documento. O laudo é escrito fora da sessão: análise, integração dos dados e redação fundamentada podem levar horas — e esse tempo é trabalho profissional que precisa entrar na conta.
- 5. Experiência e titulação. Especialização, mestrado e anos de prática legitimamente influenciam o valor-hora.
- 6. Região e custo local. O valor de mercado em uma capital difere do interior; custo de consultório e concorrência local entram na equação.
Laudo, relatório ou parecer? O que você cobra muda o preço
Parte da variação de preço nasce de uma confusão comum: chamar tudo de "laudo". Na Resolução CFP nº 06/2019, o documento que resulta de uma avaliação psicológica é o relatório psicológico — também denominado laudo em contextos periciais e mais formais. Já o parecer é outra modalidade, com escopo diferente. E isso muda quanto de trabalho está embutido no preço.
| Documento | O que é | Peso no preço |
|---|---|---|
| Relatório / laudo psicológico | Resultado de um processo de avaliação psicológica: descreve a demanda, os procedimentos, a análise e uma conclusão fundamentada. | Alto — envolve encontros, instrumentos e redação extensa. |
| Parecer psicológico | Resposta técnica e fundamentada a uma questão específica (um quesito), que pode se basear em documentos e não exige, necessariamente, avaliar diretamente a pessoa. | Variável — depende do escopo do quesito. |
| Declaração / atestado | Documentos curtos que informam comparecimento, acompanhamento ou aptidão pontual, sem análise aprofundada. | Baixo — poucos minutos de elaboração. |
Antes de precificar, defina com o cliente qual documento a demanda realmente exige. Veja os modelos comentados de laudo psicológico e de parecer psicológico para dimensionar o trabalho de cada um.
Faixas ilustrativas e como precificar sem chutar
Feita a ressalva de que não há valores oficiais, dá para dar uma ordem de grandeza — apenas ilustrativa — do que profissionais costumam praticar. Trate a tabela abaixo como ponto de partida para pensar, jamais como preço de tabela:
| Tipo de trabalho (exemplos) | Faixa ilustrativa* |
|---|---|
| Declaração / atestado psicológico | menor valor — de dezenas a poucas centenas de reais |
| Relatório / laudo psicológico clínico mais simples | algumas centenas de reais |
| Laudo para fins específicos (concurso, porte de arma, adoção) | de centenas a poucos milhares, conforme a exigência |
| Avaliação com bateria ampla de testes / fins judiciais | os valores mais altos; na perícia, arbitrados pelo juízo |
*Faixas hipotéticas, sem caráter oficial, apenas para ilustrar ordens de grandeza. Variam muito por região, finalidade, complexidade e profissional — não use como preço de referência.
Em vez de copiar um número da internet, calcule o seu preço em quatro passos:
- Defina seu valor-hora. Some custos (consultório, instrumentos, impostos, formação) e a remuneração que você quer, e divida pelas horas produtivas do mês.
- Estime as horas reais do serviço. Entrevistas + aplicação + correção + análise + redação + devolutiva. É aqui que a maioria subprecifica: o laudo escrito consome horas invisíveis.
- Some os custos diretos. Folhas de teste, deslocamento, cópias, plataformas.
- Combine por escrito, antes. Registre valor, o que está incluído, forma de pagamento e prazo no termo de consentimento ou em contrato — como pede o art. 4º do Código de Ética.
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Perguntas frequentes
Fontes oficiais
- Código de Ética Profissional do Psicólogo (art. 4º — honorários)
- Resolução CFP nº 06/2019 (comentada) — modalidades de documentos
- Resolução CFP nº 08/2010 — perito e assistente técnico no Judiciário
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Conteúdo educativo elaborado a partir das publicações oficiais do CFP e da legislação vigente, com as fontes listadas acima. Não substitui orientação do seu CRP, de contador ou de advogado no caso concreto. Como produzimos e revisamos.