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Anamnese8 min de leitura · atualizado em 24 de julho de 2026

10 perguntas indispensáveis na ficha de anamnese psicológica

Resposta direta

A ficha de anamnese é a entrevista inicial que organiza a história e a demanda de quem procura atendimento e integra o prontuário — documento sigiloso protegido pelo Código de Ética e pela Resolução CFP 001/2009. As 10 perguntas indispensáveis cobrem seis áreas: identificação, queixa/demanda, história da queixa, antecedentes, história familiar e rotina/desenvolvimento. Elas funcionam como eixos norteadores, sempre adaptados ao público (adulto, criança ou adolescente), e não como um questionário rígido.

O que é a anamnese e onde ela entra no prontuário

A anamnese é a entrevista inicial em que a(o) psicóloga(o) reúne, de forma organizada, a história e a demanda de quem procura atendimento. Ela não é um formulário burocrático: é um instrumento clínico interno que orienta a formulação do caso, as hipóteses de trabalho e o planejamento do processo.

Como todo registro decorrente da prestação de serviço psicológico, a anamnese integra o prontuário do paciente. Isso a coloca sob o sigilo profissional previsto no Código de Ética Profissional do Psicólogo e sob as regras de registro e guarda da Resolução CFP 001/2009. O conteúdo pertence ao contexto do atendimento e só pode ser compartilhado nas hipóteses éticas e legais cabíveis.

Vale distinguir a anamnese dos documentos formais. A anamnese é a base clínica; o relatório, o laudo e o parecer são produtos específicos, destinados a terceiros, com estrutura própria definida pela Resolução CFP 06/2019. Eles se apoiam nas informações do atendimento, mas não se confundem com a ficha de entrevista inicial.

A anamnese é registro interno e sigiloso: não se entrega "crua" a escola, médico, convênio ou Justiça. Quando um terceiro precisa de informação, emite-se um documento próprio (relatório, laudo ou parecer), com finalidade definida e na medida estritamente necessária.

As 10 perguntas por área (lista para copiar)

Abaixo estão as 10 perguntas indispensáveis, organizadas pelas áreas clássicas da anamnese. Trate-as como eixos norteadores, e não como um roteiro fixo: a ordem, a profundidade e as palavras exatas variam conforme o vínculo, a abordagem teórica e o público atendido.

ÁreaO que investigar
IdentificaçãoDados básicos e origem do encaminhamento
Queixa / demandaMotivo do atendimento e expectativas
História da queixaInício, evolução, frequência e intensidade
AntecedentesTratamentos anteriores, medicação e saúde geral
História familiarComposição, dinâmica e histórico de sofrimento psíquico
Rotina / desenvolvimentoSono, hábitos, história de vida e rede de apoio

Lista para copiar:

  1. Identificação: Pode me contar seus dados principais? (nome, idade, escolaridade, ocupação, estado civil, com quem mora e quem indicou ou encaminhou o atendimento)
  2. Queixa/demanda: O que traz você aqui hoje? Qual é a principal dificuldade, nas suas próprias palavras?
  3. Queixa/demanda: O que você espera deste processo? Que mudança gostaria de alcançar?
  4. História da queixa: Quando isso começou e como evoluiu até agora? (início, frequência, intensidade, o que melhora e o que piora)
  5. Antecedentes: Você já fez acompanhamento psicológico ou psiquiátrico antes? Usa ou já usou alguma medicação?
  6. Antecedentes: Como está sua saúde de modo geral? (condições clínicas, cirurgias ou internações, uso de álcool ou outras substâncias)
  7. História familiar: Como é sua família e a convivência entre vocês? Há histórico de sofrimento psíquico ou adoecimento na família?
  8. Rotina/desenvolvimento: Como é sua rotina hoje? (sono, alimentação, trabalho ou estudo, lazer e relações sociais)
  9. Rotina/desenvolvimento: Há acontecimentos marcantes na sua história de vida ou no seu desenvolvimento que você considera importantes?
  10. Rede de apoio: Com quem você conta nos momentos difíceis? Como você tem se sentido em relação a si mesmo e à vida? (abre espaço para avaliar rede de apoio e, quando indicado, sinais de risco)
Exemplo Em uma primeira sessão fictícia, "Marina", 34 anos, professora, chega dizendo que "não consegue mais desligar do trabalho". A pergunta 4 revela que o cansaço e a insônia começaram há cerca de seis meses, após assumir uma nova função, e pioram nas noites de domingo. A pergunta 8 mostra sono fragmentado e abandono do lazer. Esses eixos, e não respostas soltas, ajudam a construir a hipótese de trabalho.

Como adaptar as 10 perguntas ao público

As mesmas seis áreas valem para todos os públicos, mas a forma de perguntar muda conforme a idade e o contexto. Adaptar não é abandonar o roteiro: é ajustar a linguagem, os informantes e o foco.

  • Adultos: a entrevista costuma ser feita diretamente com a pessoa. Aprofunde história de vida, trabalho, relações e rede de apoio. As perguntas de expectativa (nº 3) e de rotina (nº 8) ajudam a definir objetivos realistas.
  • Crianças: boa parte das respostas vem dos responsáveis. Inclua história gestacional, parto, marcos de desenvolvimento (motor, linguagem, controle esfincteriano), sono, alimentação, comportamento e vida escolar. A queixa muitas vezes é trazida pela família ou pela escola, então distinga a demanda de quem traz da experiência da criança.
  • Adolescentes: equilibre autonomia e envolvimento da família. Explique o sigilo e seus limites de forma acessível, dê espaço para a queixa do próprio adolescente (nº 2) e observe questões escolares, sociais e de identidade.
Exemplo No caso fictício de "Théo", 7 anos, encaminhado pela escola por "agitação", a pergunta 9 é adaptada aos responsáveis: investiga-se gestação, marcos de linguagem e mudanças recentes na rotina familiar. A queixa da escola é registrada como demanda de terceiros, e não como conclusão sobre a criança.

Cuidados éticos e de registro

Reunir informações sensíveis exige responsabilidade. Antes de iniciar, informe a pessoa (ou o responsável) sobre o sigilo, seus limites e o fato de que o atendimento será registrado — de preferência com um termo de consentimento. Transparência sobre o serviço prestado é parte de uma prática ética.

O registro deve ser objetivo e pertinente: anote o necessário para a condução do caso, evitando juízos desnecessários. Como parte do prontuário, a anamnese segue as regras de guarda da Resolução CFP 001/2009, que estabelece prazo mínimo de 5 anos de guarda do registro documental, em condições que preservem o sigilo (arquivo físico protegido ou meio digital seguro).

A(o) psicóloga(o) não faz diagnóstico médico. A anamnese subsidia a avaliação psicológica e a construção de hipóteses, não um rótulo clínico apressado. Evite registrar conclusões diagnósticas como se fossem fatos médicos; descreva o que foi observado e relatado.

Por fim, lembre-se de que a anamnese não substitui os documentos formais. Se surgir a necessidade de comunicar algo a terceiros, produza o documento adequado — relatório, laudo ou parecer — conforme a finalidade e a Resolução CFP 06/2019, e nunca compartilhe a ficha de entrevista inicial em si.

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Perguntas frequentes

A ficha de anamnese é obrigatória?

Não existe um modelo único obrigatório, mas o registro documental do atendimento é exigido pela Resolução CFP 001/2009. A anamnese é a forma mais comum de iniciar esse registro e organizar o caso. O formato pode ser adaptado à sua abordagem e ao público, desde que garanta um registro mínimo, responsável e sigiloso.

Preciso de consentimento para registrar a anamnese?

Sim. O paciente — ou o responsável, no caso de crianças e adolescentes — deve ser informado sobre o registro, o sigilo e seus limites, idealmente por meio de um termo de consentimento. Informar sobre o serviço prestado e obter o consentimento fazem parte de uma prática ética e transparente.

Posso mostrar a anamnese para a escola, o médico ou a Justiça?

Como parte do prontuário, a anamnese é sigilosa e não é entregue diretamente a terceiros. Quando há necessidade legítima, presta-se a informação por documento próprio (relatório, laudo ou parecer), com finalidade definida, na medida estritamente necessária e, em regra, com autorização do paciente ou responsável.

Por quanto tempo devo guardar a anamnese?

A Resolução CFP 001/2009 estabelece prazo mínimo de guarda de 5 anos do registro documental, que pode ser ampliado conforme a natureza do caso e outras normas aplicáveis. Guarde sempre em condições que preservem o sigilo, seja em arquivo físico protegido ou em meio digital seguro.

Fontes oficiais

Leia também

Modelo de ficha de anamnese →Assistente de anamnese com IA →Termo de consentimento →Ética e documentos psicológicos →
Por Equipe PsiFllux · publicado em 24 de julho de 2026 · última revisão em 24 de julho de 2026

Conteúdo educativo elaborado a partir das publicações oficiais do CFP e da legislação vigente, com as fontes listadas acima. Não substitui orientação do seu CRP, de contador ou de advogado no caso concreto. Como produzimos e revisamos.