10 perguntas indispensáveis na ficha de anamnese psicológica
A ficha de anamnese é a entrevista inicial que organiza a história e a demanda de quem procura atendimento e integra o prontuário — documento sigiloso protegido pelo Código de Ética e pela Resolução CFP 001/2009. As 10 perguntas indispensáveis cobrem seis áreas: identificação, queixa/demanda, história da queixa, antecedentes, história familiar e rotina/desenvolvimento. Elas funcionam como eixos norteadores, sempre adaptados ao público (adulto, criança ou adolescente), e não como um questionário rígido.
O que é a anamnese e onde ela entra no prontuário
A anamnese é a entrevista inicial em que a(o) psicóloga(o) reúne, de forma organizada, a história e a demanda de quem procura atendimento. Ela não é um formulário burocrático: é um instrumento clínico interno que orienta a formulação do caso, as hipóteses de trabalho e o planejamento do processo.
Como todo registro decorrente da prestação de serviço psicológico, a anamnese integra o prontuário do paciente. Isso a coloca sob o sigilo profissional previsto no Código de Ética Profissional do Psicólogo e sob as regras de registro e guarda da Resolução CFP 001/2009. O conteúdo pertence ao contexto do atendimento e só pode ser compartilhado nas hipóteses éticas e legais cabíveis.
Vale distinguir a anamnese dos documentos formais. A anamnese é a base clínica; o relatório, o laudo e o parecer são produtos específicos, destinados a terceiros, com estrutura própria definida pela Resolução CFP 06/2019. Eles se apoiam nas informações do atendimento, mas não se confundem com a ficha de entrevista inicial.
As 10 perguntas por área (lista para copiar)
Abaixo estão as 10 perguntas indispensáveis, organizadas pelas áreas clássicas da anamnese. Trate-as como eixos norteadores, e não como um roteiro fixo: a ordem, a profundidade e as palavras exatas variam conforme o vínculo, a abordagem teórica e o público atendido.
| Área | O que investigar |
|---|---|
| Identificação | Dados básicos e origem do encaminhamento |
| Queixa / demanda | Motivo do atendimento e expectativas |
| História da queixa | Início, evolução, frequência e intensidade |
| Antecedentes | Tratamentos anteriores, medicação e saúde geral |
| História familiar | Composição, dinâmica e histórico de sofrimento psíquico |
| Rotina / desenvolvimento | Sono, hábitos, história de vida e rede de apoio |
Lista para copiar:
- Identificação: Pode me contar seus dados principais? (nome, idade, escolaridade, ocupação, estado civil, com quem mora e quem indicou ou encaminhou o atendimento)
- Queixa/demanda: O que traz você aqui hoje? Qual é a principal dificuldade, nas suas próprias palavras?
- Queixa/demanda: O que você espera deste processo? Que mudança gostaria de alcançar?
- História da queixa: Quando isso começou e como evoluiu até agora? (início, frequência, intensidade, o que melhora e o que piora)
- Antecedentes: Você já fez acompanhamento psicológico ou psiquiátrico antes? Usa ou já usou alguma medicação?
- Antecedentes: Como está sua saúde de modo geral? (condições clínicas, cirurgias ou internações, uso de álcool ou outras substâncias)
- História familiar: Como é sua família e a convivência entre vocês? Há histórico de sofrimento psíquico ou adoecimento na família?
- Rotina/desenvolvimento: Como é sua rotina hoje? (sono, alimentação, trabalho ou estudo, lazer e relações sociais)
- Rotina/desenvolvimento: Há acontecimentos marcantes na sua história de vida ou no seu desenvolvimento que você considera importantes?
- Rede de apoio: Com quem você conta nos momentos difíceis? Como você tem se sentido em relação a si mesmo e à vida? (abre espaço para avaliar rede de apoio e, quando indicado, sinais de risco)
Como adaptar as 10 perguntas ao público
As mesmas seis áreas valem para todos os públicos, mas a forma de perguntar muda conforme a idade e o contexto. Adaptar não é abandonar o roteiro: é ajustar a linguagem, os informantes e o foco.
- Adultos: a entrevista costuma ser feita diretamente com a pessoa. Aprofunde história de vida, trabalho, relações e rede de apoio. As perguntas de expectativa (nº 3) e de rotina (nº 8) ajudam a definir objetivos realistas.
- Crianças: boa parte das respostas vem dos responsáveis. Inclua história gestacional, parto, marcos de desenvolvimento (motor, linguagem, controle esfincteriano), sono, alimentação, comportamento e vida escolar. A queixa muitas vezes é trazida pela família ou pela escola, então distinga a demanda de quem traz da experiência da criança.
- Adolescentes: equilibre autonomia e envolvimento da família. Explique o sigilo e seus limites de forma acessível, dê espaço para a queixa do próprio adolescente (nº 2) e observe questões escolares, sociais e de identidade.
Cuidados éticos e de registro
Reunir informações sensíveis exige responsabilidade. Antes de iniciar, informe a pessoa (ou o responsável) sobre o sigilo, seus limites e o fato de que o atendimento será registrado — de preferência com um termo de consentimento. Transparência sobre o serviço prestado é parte de uma prática ética.
O registro deve ser objetivo e pertinente: anote o necessário para a condução do caso, evitando juízos desnecessários. Como parte do prontuário, a anamnese segue as regras de guarda da Resolução CFP 001/2009, que estabelece prazo mínimo de 5 anos de guarda do registro documental, em condições que preservem o sigilo (arquivo físico protegido ou meio digital seguro).
Por fim, lembre-se de que a anamnese não substitui os documentos formais. Se surgir a necessidade de comunicar algo a terceiros, produza o documento adequado — relatório, laudo ou parecer — conforme a finalidade e a Resolução CFP 06/2019, e nunca compartilhe a ficha de entrevista inicial em si.
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Perguntas frequentes
Fontes oficiais
- Código de Ética Profissional do Psicólogo (CFP)
- Resolução CFP 001/2009 (registro documental e prontuário)
- Resolução CFP 06/2019 (documentos psicológicos, comentada)
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Conteúdo educativo elaborado a partir das publicações oficiais do CFP e da legislação vigente, com as fontes listadas acima. Não substitui orientação do seu CRP, de contador ou de advogado no caso concreto. Como produzimos e revisamos.