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Relatório8 min de leitura · atualizado em 24 de julho de 2026

5 passos para organizar as informações de um relatório psicológico antes de escrever

Resposta direta

Organizar um relatório psicológico antes de escrever significa percorrer cinco passos na ordem certa: definir a demanda e a finalidade, selecionar apenas os dados pertinentes que você coletou, articulá-los ao referencial teórico, estruturar tudo nas cinco partes da Resolução CFP nº 06/2019 (identificação, descrição da demanda, procedimento, análise e conclusão) e revisar sigilo e objetividade. Esse roteiro reduz retrabalho, protege o sigilo profissional e resulta em um documento técnico, claro e defensável.

Antes do passo 1: relatório, laudo ou parecer?

Os três documentos partem de uma avaliação psicológica, mas não têm a mesma estrutura, e escolher o formato errado gera retrabalho. Pela Resolução CFP nº 06/2019, o relatório e o laudo psicológico comunicam os resultados de um processo de avaliação e seguem cinco partes. Já o parecer psicológico responde a uma questão focal — um quesito específico formulado por quem solicita — e é organizado em quatro partes.

Vale fixar um limite ético central desde já: o psicólogo realiza avaliação psicológica e comunica achados psicológicos — não emite diagnóstico médico nem faz prescrição. Definir isso antes de começar evita que o documento prometa mais do que a profissão autoriza.

DocumentoPara que servePartes
Relatório / LaudoComunicar o processo e os resultados de uma avaliação psicológica com finalidade definida5 (identificação, descrição da demanda, procedimento, análise e conclusão)
ParecerResponder a uma questão específica a partir de análise técnica4 (identificação, exposição de motivos, análise e conclusão)

Neste guia, o foco são os cinco passos para organizar as informações antes de escrever um relatório. Se você ainda não tem uma base, comece por um modelo de relatório psicológico.

Passos 1 e 2: defina a demanda e selecione os dados pertinentes

Passo 1 — Defina a demanda e a finalidade. Antes de qualquer palavra, responda: quem solicitou o documento, com que objetivo, quem vai lê-lo e como ele será usado? A finalidade orienta tudo o que vem depois — a mesma avaliação pode gerar comunicações diferentes conforme o destino (escola, saúde, Justiça, concurso). Um documento sem finalidade clara tende a dizer demais em alguns pontos e de menos em outros.

Passo 2 — Selecione apenas os dados pertinentes. A Resolução CFP nº 06/2019 adota o princípio da pertinência: registre somente o que se relaciona diretamente com a finalidade do documento. Separe o material coletado (entrevistas, testes, observações, história) e pergunte de cada informação: "isto sustenta a resposta à demanda?". O que não sustenta permanece no prontuário — não no relatório.

Exemplo Em um caso fictício, a psicóloga recebe pedido de relatório para acompanhamento escolar de "João", 9 anos. Dados sobre desempenho atencional e interação em sala são pertinentes; detalhes sobre o histórico conjugal dos pais, colhidos na anamnese, não entram no relatório escolar — ficam registrados no prontuário, sob sigilo.

Organizar demanda e dados nesta ordem evita o erro mais comum: escrever primeiro e só depois perceber que faltou foco. Uma boa anamnese ajuda a ter esses dados já estruturados.

Passos 3 e 4: articule a teoria e monte as 5 partes da Resolução

Passo 3 — Articule os dados ao referencial teórico. Dados brutos não são análise. Cada achado precisa ser interpretado à luz de um referencial teórico-metodológico explícito e reconhecido. Isso significa nomear a abordagem, indicar os instrumentos utilizados e mostrar como eles fundamentam suas inferências. A fundamentação técnico-científica é justamente o que diferencia um documento psicológico de uma opinião pessoal.

Passo 4 — Estruture nas cinco partes da Resolução 06/2019. Com demanda, dados e teoria organizados, encaixe tudo nas cinco partes:

  • 1. Identificação — dados do profissional (nome e CRP), do solicitante e do avaliando, além da finalidade do documento.
  • 2. Descrição da demanda — a solicitação e o que a motivou, de forma objetiva.
  • 3. Procedimento — os recursos e instrumentos técnicos utilizados, o período e o número de encontros.
  • 4. Análise — a interpretação dos dados articulada ao referencial teórico; é o núcleo do documento.
  • 5. Conclusão — a resposta à demanda, sem extrapolar o que a avaliação permite afirmar.

Mapear as informações nessas cinco "caixas" antes de redigir transforma a escrita em preenchimento organizado, e não em improviso.

Passo 5: revise sigilo, objetividade e alcance

Passo 5 — Revise sigilo, objetividade e alcance. Com o conteúdo organizado, faça uma leitura final com três filtros. Sigilo: o documento contém apenas o necessário à finalidade? Informações sensíveis que não sustentam a conclusão devem sair. Objetividade: descreva comportamentos e achados, não julgamentos morais ou adjetivos vagos. Alcance: a conclusão responde à demanda sem prometer previsões ou certezas que a Psicologia não sustenta.

Evite rótulos e juízos de valor ("preguiçoso", "manipulador") e não inclua diagnóstico médico ou prescrição — isso está fora das atribuições do psicólogo e pode configurar falta ética. Descreva o observado e sustente cada afirmação na análise.

Lembre também que o material que fundamenta o documento deve ser registrado e guardado conforme a Resolução CFP nº 001/2009, que trata do registro documental e da guarda dos prontuários.

Checklist prático antes de entregar

Use esta lista rápida antes de finalizar e entregar o documento:

  • A finalidade está definida e o documento certo (relatório, laudo ou parecer) foi escolhido?
  • Todos os dados incluídos são pertinentes à demanda? O que sobra foi para o prontuário?
  • Cada inferência está fundamentada no referencial teórico e nos instrumentos citados?
  • O texto está nas cinco partes (identificação, demanda, procedimento, análise, conclusão)?
  • identificação completa, com nome, CRP e assinatura?
  • A linguagem é objetiva, sem rótulos, e respeita o sigilo?
  • A conclusão responde à demanda sem extrapolar?
  • O material de base está registrado e guardado conforme a Res. 001/2009?

Para acelerar a estruturação mantendo sua autoria e revisão, você pode partir de um rascunho no gerador de relatório psicológico com IA e depois aplicar este checklist.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre relatório e laudo psicológico?

Ambos seguem a mesma estrutura de cinco partes da Resolução CFP 06/2019 e comunicam os resultados de uma avaliação psicológica. Na prática, o laudo costuma estar vinculado a uma avaliação mais aprofundada e a uma finalidade específica (por exemplo, pericial), enquanto o relatório tem uso mais amplo. O que os diferencia é o contexto e a profundidade, não a estrutura.

Posso incluir CID ou diagnóstico médico no relatório psicológico?

Não. O psicólogo comunica achados de avaliação psicológica, não diagnóstico médico. Não cabe emitir CID como diagnóstico; quando pertinente à finalidade, é possível descrever o funcionamento psicológico e hipóteses fundamentadas, sempre dentro das atribuições da profissão.

Quantas partes tem um relatório psicológico segundo a Resolução 06/2019?

Cinco: identificação, descrição da demanda, procedimento, análise e conclusão. O parecer, por responder a uma questão focal, tem quatro partes (identificação, exposição de motivos, análise e conclusão).

Por quanto tempo preciso guardar o relatório e o material da avaliação?

A guarda do registro documental segue a Resolução CFP nº 001/2009, que estabelece prazo mínimo de cinco anos, podendo ser maior em situações específicas. Mantenha o material de base arquivado com segurança e sob sigilo.

Fontes oficiais

Leia também

Modelo de relatório psicológico →Modelo de parecer psicológico →Gerador de relatório psicológico com IA →Ética profissional na prática →
Por Equipe PsiFllux · publicado em 24 de julho de 2026 · última revisão em 24 de julho de 2026

Conteúdo educativo elaborado a partir das publicações oficiais do CFP e da legislação vigente, com as fontes listadas acima. Não substitui orientação do seu CRP, de contador ou de advogado no caso concreto. Como produzimos e revisamos.